Absorvente é item básico sim.

 

Não tem como falar sobre saúde feminina sem abordar a questão dos absorventes e a falta de acesso desse item básico aqui no Brasil. Você deve estar se perguntando o porque estamos abordando este tema, mas já vamos responder o quão relevante e esta discussão.

Pobreza Menstrual 

Chamamos de pobreza menstrual a existência de uma grande parcela de mulheres no Brasil que não tem acesso a absorventes. Cerca de 26% das mulheres em nosso país não tem recursos para adquirir esse item. 

Geralmente o preço de um pacote de absorvente tem um custo de  R$16,00 e na maioria das vezes apenas um é insuficiente, sendo assim, na maioria das vezes uma mulher compra dois ou mais pacotes, estamos falando de um custo de R$32,00 e até mais que isso. 

Para uma trabalhadora que ganha apenas um salário mínimo, pagar este preço por absorventes e um luxo. Muitas famílias são chefiadas por mulheres, sejam elas mães, avós dentre outras, atuando como as chefes da casa, sendo a única fonte de renda. Como se dá ao luxo de pagar por absorventes com aluguel e as demais contas para pagar ?.

Por todo Brasil meninas usam roupas velhas, miolo de pão, papel higiênico e muitos outros objetos para estancar o sangramento, mas na maioria das vezes sangram, e quando sangram se ausentam de suas atividades diárias, escolas e outras atividades também essenciais. 

A Organização das Nações Unidas (ONU), reconheceu em 2014 a o direito das mulheres à higiene menstrual, considerando a questão dos absorventes como saúde pública e divulgando a estatística de que uma em cada dez meninas perdem aula quando estão menstruadas.
Amika George 

Amika George 

No Reino Unido, a terra da Rainha, a Organização,  Free Periods, liderada pela ativista Amika George vem lutando pela distribuição dos absorventes em escolas e Universidades. Por curiosidade, na nação britânica.  1 a cada 10 meninas não tem recursos para comprar um absorvente.

Apesar de ser uma ação iniciante, já temos o primeiro país do mundo a distribuir gratuitamente absorventes que é a Escócia.

No Brasil, temos alguns projetos pioneiros, em Março de 2020 a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP), apresentou em março deste ano, o projeto de lei para distribuição de absorventes gratuitos em locais públicos. Marília Arraes, PT-PE, também tem lutado para a aprovação de projetos similares.

Enfim, termino esse texto com uma menção a Carolina Delboni, colunista do Estadão: ''E estamos falando da falta de recursos para acessar produtos básicos de higiene. Não é sobre feminismo. Não é mimimi. É sobre ser mulher.''










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